Laboratório de Informática na escola: oportunizando possibilidades de aprendizagem e prazer pela busca do conhecimento
Rosane Aparecida Caldeira Veiga
No final do ano de 2006 recebemos um laboratório de informática do governo federal. A empolgação foi tanta que não nos demos conta de que, a princípio, não tínhamos espaço físico nem verbas para a instalação do laboratório.
Para fazer a instalação do laboratório a Coordenação teve que ceder sua sala, visto ser este o maior espaço físico que tínhamos, e ser transferida para a sala dos professores que acabou ficando extinta.. As verbas recebidas pela escola foram destinadas, com prioridade, para as obras e os equipamentos necessários ao laboratório. Apesar das mudanças ficamos radiantes pois estávamos tendo a chance de mudar nossa realidade.
Logo após a euforia inicial de ver o laboratório pronto e achar que a partir daquele momento estaríamos oferecendo novas possibilidades de conhecimento, pois estávamos sendo incluídos na era digital, deparei-me com a seguinte leitura:
“As modernas tecnologias ao serem introduzidas na Educação sugerem transformações na reestruturação do trabalho pedagógico.” ( MEC – TV e Informática 1998)
A citação acima me inquietou, me fez refletir e chegar à constatação principal: a informática aplicada à Educação tem dimensões mais profundas que não aparecem à primeira vista. Não basta termos o equipamento pois, nosso objetivo maior não pode se limitar apenas a ensinar informática para nossos alunos; o que inegavelmente, no nosso caso, já era um ganho devido ao grande entusiasmo dos alunos para começarem a usar a sala de informática, visto o baixo nível sócio-econômico-cultural da clientela onde nossa escola está inserida.
Diagnosticar essa realidade significou ter como perspectiva utilizar a informática, também, para buscar a construção de cidadãos conscientes que desenvolvam a capacidade de aprender a aprender. Para isto foi preciso nos preparar enquanto educadores para que pudéssemos preparar nossos alunos. E isto só foi possível com um trabalho de equipe.
Visto a necessidade da atuação do professor no processo de implantação das aulas de informática, passamos a nos reunir, nos espaços de centro de estudo, no próprio laboratório pois nem todos os professores tinham familiaridade com o equipamento, principalmente com o sistema operacional Linux.
Superada essa etapa começamos a pensar na criação de ambientes de aprendizagem que propusessem desafios e explorações que pudessem conduzir a descobertas e promovessem a construção do conhecimento utilizando o computador. Foi quando tomei conhecimento, através do especialista em informática educacional Gilberto Resende de Azevedo *, de um conjunto de software educacional chamado GCompris que abrange atividades para crianças com a faixa etária que nossa escola atende e com níveis gradativos de complexidade. Após analisar o material para descobrir se suas atividades enriqueceriam pedagogicamente nosso trabalho, introduzi o Gcompris no laboratório. Mais uma vez reuni o grupo de professores para que todos conhecessem e verificassem a funcionalidade do software para nossos alunos. Feita a avaliação selecionamos algumas atividades que pudessem entusiasmar, auxiliar ou ampliar a aprendizagem de nossas crianças. Nesse processo cada professor listou as atividades pertinentes à sua turma para que o trabalho realizado no laboratório não ficasse dissociado do que estava sendo desenvolvido em sala de aula.
O resultado da utilização do Gcompris foi surpreendente. Com essa ação conseguimos alcançar nossa primeira meta com relação aos nossos alunos; despertar-lhes o prazer, a curiosidade, a superação de dificuldades e a elevação da auto-estima. Entretanto,um resultado observado nos causou surpresa, já que ele não estava em nossos objetivos: a freqüência. Nos dias de ida ao laboratório a presença de alunos aumentava consideravelmente.
Com esses dados favoráveis resolvemos continuar trabalhando com o Gcompris e iniciamos, paralelamente, um trabalho de apoio com os alunos que apresentavam dificuldades na alfabetização, devido a grande vontade e facilidade que eles demonstraram em aprender com o computador. Este trabalho de apoio acontece uma vez por mês com pequenos grupos de alunos em estágios iniciais da leitura e escrita. As atividades são orientadas por mim e elaboradas pela professora de Sala de Leitura que é quem está, no momento, ministrando as aulas no laboratório.
Além destes trabalhos realizados pela professora da Sala de Leitura, o laboratório também vem sendo utilizado pelos professores juntamente com seus alunos em atividades específicas da turma mas sempre integradas ao projeto que a escola está desenvolvendo no momento.
Atualmente a escola está trabalhando o subprojeto “ Muito Prazer! Meu nome é Planeta Terra.” visando despertar a necessidade da consciência ambiental. Dentre as muitas atividades desenvolvidas fizemos uma visita, com nossos alunos, a uma usina de lixo da Comlurb situada nas proximidades da escola em Irajá, onde existe uma cooperativa de coleta de lixo reciclável. Após a visita utilizamos uma outra tecnologia, o vídeo, onde as crianças puderam obter mais informações sobre o processo de reciclagem das latas. Para sistematizar as informações e observar como o conhecimento estava sendo internalizado, a professora da Sala de Leitura propôs que os alunos que quisessem fossem até o laboratório e produzissem um texto sobre o que estavam aprendendo. A princípio apareceu um pequeno grupo. Como o quantitativo era pequeno e desejávamos atingir mais crianças, a professora responsável pelo laboratório resolveu aprimorar o texto utilizando os recursos do editor de textos tais como bordas, figuras, tipos e cores de letras,etc.
Os alunos saíram do laboratório fascinados com o que haviam aprendido a fazer e com o efeito que esses recursos deram às suas produções. A partir daí o número de alunos aumentou. Todos queriam ver seus trabalhos pelos murais da escola. Alguns alunos quiseram produzir mais de um texto . Nesse momento interferimos para associar um conteúdo ao laboratório: nossa exigência era de que os textos deveriam ter tipologias diferentes. A busca pelo conhecimento começava. Os alunos começaram a perguntar e pesquisar sobre as estruturas de textos para que pudessem produzi-los no laboratório. Nossa satisfação aumentou quando lemos as produções: os alunos não estavam apenas relatando as informações mas opinando criticamente sobre elas.
No momento estamos estudando o editor do programa KEduca testes e exames, para introduzi-lo de forma prazerosa e instigante ao subprojeto.
Finalizando é importante frisar que acreditamos que o uso do computador só foi eficaz porque foi norteado pelos projetos da escola.
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* gilbertoazevedo@hotmail.com