sábado, 11 de julho de 2009

O uso da Internet, Direito e Educação

Tecnologia da Informação:
Uma Questão de Controle ou de Escolha?

O Secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Ministério Público do estado do Rio de de Janeiro Dr. Claudio Tenório de Figueiredo Aguiar faz uma palestra sobre as conseqüências legais do uso da Internet.


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Autoria na Era Digital

O que o professor deve fazer quando recebe de seus alunos um trabalho totalmente copiado da internet? Como trabalhar com o advento do Ctrl C + Ctrl V? Na escola do início do século XXI, quais são os significados de autoria, plágio e cópia? O assunto é polêmico, pois não se trata mais de um fato episódico nem exclusivo de um sistema e nível de ensino.
Para Sérgio Abranches, professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diante de um quadro “com poucas possibilidades e muita perplexidade”, os educadores vêm elaborando suas práticas de forma mais imediatista do que propriamente pedagógica. Para ele, é preciso que a escola reveja a participação dos alunos no processo de aprendizagem, no processo de construção da autoria. Em entrevista, o professor afirma que, se o estudante não for convocado para ser autor-colaborador de determinada atividade, ele não terá o compromisso de produzir nada que seja dele ou a partir dele. “Nesta situação, é muito mais fácil e cômodo dar uma googada (de google), como dizem os mais novos”, destaca.

RIO MÍDIA - O que muda na produção docente e discente com o acesso à internet? Professores e alunos estão sabendo tirar proveito de todas as possibilidades da rede?

Sérgio Abranches - A internet tem se apresentado como um grande campo de práticas distintas e diversas, com ampla possibilidade para a Educação. Entretanto, isto não quer dizer que haja um aproveitamento de suas possibilidades, tanto por alunos quanto por professores. É preciso ainda um processo de formação específica para o uso pedagógico da internet, como de todas as atuais tecnologias da informação e comunicação, a fim de que a Educação possa aproveitar estas possibilidades. Em pesquisa recente, realizada por meus orientandos, observamos que já há uma familiaridade com o uso das tecnologias por parte dos professores, mas isto não significa que estes mesmos professores estejam utilizando as possibilidades que a internet apresenta. Do mesmo modo, observamos nos alunos que o uso da internet ainda é muito restrito em se tratando de questões educacionais. Mesmo que haja uma maior familiaridade por parte dos alunos com as atuais tecnologias, tal situação não redunda em grande proveito para a aprendizagem. Por outro lado, precisamos destacar o crescente número de projetos que busca incorporar tal uso às práticas educacionais. Penso que é por aí que conseguiremos identificar quais possibilidades que a internet oferece e que poderão ser aproveitadas pela Educação. Como exemplo, penso que a pesquisa acadêmica tende a ser profundamente dinamizada com a internet, bem como a aprendizagem colaborativa.



Para complementar temos o artigo do Prof. Sérgio Abrantes


O QUE FAZER QUANDO EU RECEBO UM TRABALHO CRTL C + CTRL V? AUTORIA, PIRATARIA E PLÁGIO NA ERA DIGITAL: DESAFIOS PARA A PRÁTICA DOCENTE

publicado nos anais do 2º Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação promovido pela UFPE em setembro de 2008.


INTRODUÇÃO

Já não é mais estranho, nem episódico, professores reclamarem de trabalhos recebidos de seus alunos que não passam de simples cópias textuais de artigos disponíveis na internet. Esta situação já atinge os diferentes níveis de ensino, não sendo, portanto, exclusividade de nenhum professor ter que enfrentar esta situação. A pergunta é imediata: o que fazer? Diante de um quadro com poucas possibilidades e muita perplexidade, os professores vão elaborando suas práticas e dando respostas com caráter mais imediatista do que propriamente pedagógico.

Este artigo discute esta situação vivida pelos professores tendo como foco a questão da autoria e os desafios que são postos para a prática docente. Assim, situações como estas são entendidas dentro do contexto da cibercultura,resultante da popularização das tecnologias e do aumento do acesso a elas em formas diversificadas na sociedade.

Em primeiro lugar, busco, aqui, mapear o problema, entendendo as diferentes formas em que ele se apresenta, ou por vezes se esconde, quando um trabalho acadêmico é flagrado como cópia. Não basta simplesmente identificar este fato, já por demais conhecido. É necessária uma compreensão maior a partir do quadro sócio‐educacional em que se encontra. A seguir, discuto a questão da identidade relacionada diretamente à autoria, sendo este um dos elementos que a educação de um modo geral se ocupou no seu fazer histórico. A identidade, ou melhor, a busca pela sua constituição, ganhou novos contornos na contemporaneidade tendo destaque no contexto da cibercultura.

Por fim, retomo a apreciação desta situação no campo específico da educação e mais propriamente da prática docente, entendendo tal fato como um desafio que exige novas formas de entendimento e de abordagem pedagógica.

Enquanto situação que ocorre na prática pedagógica, a existência de trabalhos do tipo Ctrl C + Ctrl V denuncia um embate crescente no campo educacional, tendo este raízes históricas e também variáveis novas a serem incorporadas à prática educacional. Deste modo, neste artigo tomo a perspectiva docente para o entendimento e a busca de alternativas para um problema que cresce a cada dia.